segunda-feira, 20 de novembro de 2017

A vida como ela é: o tio trouxa da padoca

tio da padoca
Imagem meramente ilustrativa
Pego emprestado esse nome de alguns outros amigos da blogosfera para contar uma caso real da minha família. Primeiro, um pouco de contextualização.

Meu avô materno tinha 5 filhos, sendo 4 homens e uma mulher, que no caso é minha mãe. Pois bem, ele ajudou todos os filhos, alguns mais, outros menos, mas ajudou todos. No caso em questão, estou falando de um dos meus tios. Além de fazer o meu avô pagar a faculdade de sua  então noiva, que depois terminou o noivado (pqp, onde eles tavam com a cabeça?!?), meu avô ainda deu a ele o dinheiro para começar um negócio próprio.

Primeiro, ele o outro irmão trabalhavam em uma oficina mecânica. Depois, esse meu tio, com o dinheiro do meu avô (não se se ele juntou dinheiro com a oficina) abriu uma padaria. Durante um bom tempo a padaria foi bem, a ponto de abrir uma segunda padaria em um bairro melhor, ficando com duas para administrar. Então, ele já tinha um filho e uma esposa, que não era a que o meu avô pagou a faculdade.

As coisas foram indo bem, comprou o ap que morava e ainda comprou uma segunda casa dentro de um condomínio. Meu tio nunca foi de estripulias financeiras aparentes, usava um carro velhaço 96, que foi roubado e depois recuperado intacto, e continuo usando o mesmo para tudo, até que comprou um Scenic usado para ter dois carros, mas nada absurdo.

Muito bem, eu achava que esse meu tio conhecia o conceito de independência financeira, pois o dinheiro entrava e eu não o via gastando com quase nada, pois seus imóveis já estavam quitados, os carros eram usados, inclusive comprou um Escort 88 do meu sogro, para o filho dele aprender a dirigir, e também um fusca caindo aos pedaços, para reformar. Achei estranho, mas cada um tem o seu hobby, né?

Daí pra frente as coisas começaram a ficar estranhas. O Gol 96 já estava deplorável e ele comprou um outro Gol mais novo usado, mas o Scenic ficava na garagem, pois o IPVA estava atrasado e sem manutenção. O Fusca comprado nunca foi buscado na casa do meu sogro. A padaria no bairro bom, que era """"""administrada""""" pelo irmão de sua mulher, foi ficando cada vez pior, com menos produtos à venda, fechando cedo...

Nesse meio tempo, meu tio sempre reclamava do trabalho que padaria dava: acordar às 04:30 da manhã, fazer pão, comprar estoque... deve ser cansativo mesmo. Mas enfim, quando ele decidiu vender a padaria no bairro bom, achei que ele ia embolsar um bom dinheiro e ainda se livrar do vagabundo do irmão da mulher dele.

Passado um tempo da venda, eis que vinha a bomba: meu tio estava correndo o risco de perder a casa dele!

Por que?

Porque a besta quadrada do meu tio deixava todas as finanças na mão da mulher dele, formada em administração (!!!), e ela simplesmente ficou anos sem pagar o condomínio!

(Rápido parênteses, esse meu tio é tão trouxa com dinheiro que o filho dele falou pra mim que, um dia, ele queria comprar uma câmera. Ele perguntou pra mulher dele se ele podia comprar (pqp!) e ela disse que não e fim de papo. Segundo o próprio filho dele, um jovem com menos de 20 anos e muito obeso desde sempre, o pai é um grande babaca!)

O que ela fez com o dinheiro?

Ninguém sabe! Mas suspeita-se que tenha dado tudo pro irmão construir a casa dele, mas ninguém sabe ao certo... ou sabem, e preferem não falar por vergonha! Depois que deu essa merda toda eu até vi esse meu tio umas 2x, mas a mulher dele nunca mais vi!

Agora a padaria que sobrou está um lixo, com poucos produtos, funcionários insatisfeitos, inclusive um primo meu trabalha lá, um baita dum vagabundo, metido a esperto, que desconfio que tenha dado um golpe em outro tio meu, empresário... mas isso é história para outro post.

RESUMO DA ÓPERA:

Hoje, meu tio ta passando a padaria que sobrou, fez cursos para trabalhar como peão, e está indo para o sul do país tentar um emprego lá nessa área.

Te pergunto, você acha que um cara obeso,  com seus 40 e tantos anos, que foi patrão a vida quase que toda, vai conseguir um emprego de peão? Duvido muito, mas torço que sim e que ele possa recomeçar e ter aprendido com os erros dele, o que eu duvido muito!

E o condomínio?

Sobrou pra minha avó pagar! Ela tem uma bola pensão deixada pelo meu avô. Todos os meses eu pago pra ela, pelo homebanking, R$746 de condomínio, num lugar bem mais ou menos e num condomínio que não oferece porra nenhuma! Além disso, ainda paga o plano de saúde do neto dela, filho desse meu tio, e mais uma penca de coisas dos outros filhos e netos. Ela ganha 8k e gasta 8k todo mês, se ganhasse 20k gastaria 20k todo mês!

Eu to muito longe da IF, mas fico feliz de não me meter nessas burradas familiares!!!

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Não estou tão mal assim (resposta ao post do Corey)

Caras, acabei de ler o último post do Corey, ainda estou lendo os comentários, e me deu vontade de escrever um post rapidinho.

Lendo os relatos de tanta gente ignorante em relação a dinheiro, percebo que não estou tão mal assim.

Ganho pouco (veja meu último post), mas graças a frugalidade moderada e uma boa dose de observação das burradas que os outros fazem, tenho um pouco mais de 40k investidos, um pouco mais de 4k na poupança, não tenho filhos, tenho carro barato e usado, celular com sei lá quantos anos de uso, to bem de saúde, minha família, depois de muito perrengue, está razoavelmente estável financeiramente (em relação ao meus pais isso).

Também tenho exemplos de cagadas financeiras homéricas na família. Um tio burraldo, que já ganhou muito dinheiro e hoje não tem um puto, e sei lá com o que ele gastou, pois só anda com roupa barata, carro velho e fudido e mora em lugar distante e barato, deixou o pagamento do condomínio nas mãos da mulher dele.

Sei lá o que ela fez com a grana que ficou quase um ano sem pagar condomínio. Cada boletinho que vem do condomínio é mais de R$700 todo mês (eu sei porque sou eu quem acessa o home banking para pagar) e a pica sobrou para a minha avó, pensionista do governo, mas que, graças a deus, recebe uma boa pensão deixada pelo meu avô, mas tem que ajudar os cinco filhos dela, alguns por necessidade mesmo, digamos que "deram azar", outros por burrice, outros por falta de humildade.

Enfim, como o Corey falou, ficar rico não é fácil, mas não ser pobre não é difícil. Pelo menos pobre eu to longe de ser. Já é algum alento.

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Desisti de concursos públicos

Oi, pessoal. Tudo bem?

Faz um tempo que não paro para escrever direito. Estive muito ocupado recentemente, estudando, trabalhando e me exercitando e, por isso, não tive paciência para parar e escrever. Vou tentar escrever em tópicos, para facilitar a leitura.


  • Trabalho
Vai indo bem. Gosto do lugar em que trabalho e do que eu trabalho. Ambiente descontraído, os colegas são legais, prestativos e estão pilhados para estudar e evoluir. O lado ruim é o salário baixo (R$2100 bruto + VR + VT + Transporte).


  • Estudos
Decidi parar de estudar para concursos. Fui fazer a prova do TRE-PR e me senti massacrado. Não sei se tenho estudado errado ou se a prova veio mesmo muito difícil, acho que foi um pouco dos dois. Mas eu já tinha lambido as feridas, bolado um novo plano de estudos e começado a tocar isso, mas aí veio a notícia que o TSE congelou as nomeações para todos os TRE's do Brasil por tempo indeterminado e isso me desanimou muito.

Eu tinha duas opções, continuar estudando sem ter a menor expectativa de ser nomeado caso conseguisse passar em algum TRE ou migrar, novamente, para outro tipo de tribunal. Como o mesmo pode vir a acontecer com outros tribunais e o tipo tribunal que mais tem concursos são os tribunais do trabalho, e eu não estava com a menor vontade de começar a estudar direito do trabalho e processo trabalhista do zero, criei uma terceira opção e resolvi parar de estudar.

Depois que tomei essa decisão me senti mais leve, pois tirei das minhas costas a obrigação de estudar todo santo dia. Agora, tenho tanto tempo livre que às vezes fico entendiado sem ter o que fazer, o que ainda é melhor do que ter a obrigação de estudar.

Por outro lado, fiquei sem rumo, pois passar em um concurso público bem remunerado era minha única esperança de melhorar financeiramente e melhorar a minha qualidade de vida como um todo.

Não parei de estudar totalmente porque estou me dedicando a ser um profissional de SEO mais qualificado. Já consegui duas certificações do Google Analytics, uma do SEMRush (uma ferramenta que uso no trabalho) e completei o curso básico de HTML5. Mas fico na dúvida se essa carreira vai me dar futuro mesmo.

Já recebi propostas para ganhar 4 e 5k, mas teria que me mudar, pagar aluguel, sinto que todo o lucro a mais que eu teria iria pelo ralo se tiver que pagar condomínio e aluguel, coisa que eu não pago hoje (moro de favor numa casa de trás no terreno dos meus sogros aos 31 anos de idade, é humilhante, eu sei).

Nesse exato momento, em pleno feriadão, estou entediado em casa. Curioso que durante a semana eu não me sinto assim, apesar do estresse com a porcaria do trânsito.

===EDIT===

O Gari Advogado falou algo que eu esqueci de mencionar. Enquanto eu estava em Curitiba, peguei um Uber para ir do aeroporto até o hotel. Fui conversando com o motorista e ele era lá do norte, me esqueci o estado. Ele falou que tinha passado em terceiro lugar em um concurso de umas poucas vagas, passou dentro dessas vagas, acho que era pro TJ.

Ele disse que o tribunal não tinha dinheiro para chamar os aprovados e ficou por isso mesmo. Entrou na justiça e PERDEU em primeira instância! A argumentação é que ser aprovado, mesmo dentro das vagas, gera mera expectativa de ser convocado! Olha que absurdo!


  • Saúde & Exercícios
Como mencionei rapidamente no último post (eu acho), eu comecei a fazer aulas de basquete e estou gostando muito! Duas vezes por semana tem treino. Basicamente sou eu (31), o professor (38), três garotos (todos entre 13 e 14 anos) e o dono da quadra, um coroa de 50 e poucos. É bem divertido! Mil vezes melhor que ir em uma academia.


  • Você chegou mesmo até aqui?
Enfim, mais ou menos isso que aconteceu nesse período em que fiquei ausente. Estou meio que vivendo "ao deus dará" em matéria de esperança para o futuro. Penso em empreendedorismo, mas não consigo nem imaginar como começar, o que fazer. Na verdade, sinto um certo nervosismo só de pensar em empatar meu parco patrimônio em um negócio que eu não entendo nada e que pode ou não dar certo.